Muvart : uma arte africana contemporânea ?  

por Jennifer FRANCISCO, 1º ano de LLCE

Muvart, filme de José Augusto Nhantumbo, é um documentário sobre um movimento artístico. Foi produzido em Moçambique, em 2005. Este documentário fala de 11 membros que se preparam para a Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa, a maioria desses artistas são professores de arte. O Muvart foi criado em 2002, em Moçambique, e é um movimento que consiste na utilização de objetos do cotidiano para fazer obras de arte.

No documentário é expressa a dúvida que as pessoas se colocam sobre a razão pela qual o artista faz arte a partir deste processo. Este tipo de arte se assemelha ao ready-made (como por exemplo a obra de Marcel Duschamps A fonte que é um urinol virado ao contrário e que é considerada como uma obra de arte).

Neste documentário, o Muvart (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique) é descrito como uma associação que reagrupa artistas que querem uma ruptura com as formas tradicionais das artes plásticas.

O principal objetivo do Muvart é mostrar ao mundo que existem outras maneiras de fazer arte (excepto pintura, escultura ou gravura). Segundo Gemuce, um dos onze membros do Muvart, este movimento artístico pode ajudar as pessoas a compreender que a arte é um país sem fronteiras.

Muitos artistas deste movimento são apresentados no documentário. Há Carmen Maria Muianga, Jorge Dias ou Gemuce, entre outros. Mas estes artistas não estudaram só em Moçambique. Por isso, eles têm uma influência cultural de outros países como Cuba, Japão, Brasil, Ucrânia… E por esta razão, para alguns artistas moçambicanos das gerações precedentes, esta arte não faz parte da arte africana, porque foi aprendida em outros países que não são africanos.

Mas outras pessoas, como professores de arte e artistas contemporâneos, pensam que estes artistas vão permitir a evolução da arte moçambicana.

Embora este tipo arte, cada vez mais reconhecido, não seja apreciado por todos, os artistas deste movimento participaram na Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa de 2005 que lhes permitiu mostrar sua arte e descobrir outros artistas. Este novo movimento foi apreciado pelos visitantes, o que permitiu aos artistas fazer outras exposições.

Durante a Feira, o curador António Pinto Ribeiro explica que, em Moçambique, havia apenas artistas clássicos (por exemplo Malangatana ou Chissano) que eram já muito conhecidos, mas era importante introduzir a nova geração de artistas que corresponde à arte contemporânea africana. Fernandes Dias, coordenador do projeto Artafrica, diz que o Muvart é uma surpresa, que se afasta duma produção artística marcada por estereótipos, apesar de os utilizar para os desconstruir (sobretudo os que são relacionados com a situação política). Estes jovens artistas lançam um olhar crítico sobre a sociedade ou sobre os problemas sociais e culturais do país, através dos objetos artísticos que produzem.

O objetivo para os membros Muvart não era vender obras (mesmo que fosse uma vantagem), preferiram estabelecer contatos com os outros e introduzir sua arte nos circuitos de exposição mais conhecidos, sobretudo nos países de língua portuguesa. A participação na Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa de 2005 permitiu-lhes encontrar responsáveis de galerias portuguesas e brasileiras que se mostraram interessadas em expô-los.

A feira permitiu aos membros de se lançarem objetivos maiores, mais dinâmicos em seu movimento. Por exemplo, criarem mais exposições no interior do país e aproximarem a população da arte contemporânea que se faz em Moçambique.

Pessoalmente, acho que o Muvart é uma arte Africana, porque esses artistas usam o conhecimento adquirido no exterior, mas também os valores de seu país. Mas, para algumas pessoas, não é arte.

No entanto, se a arte é feita para interrogar-se e sentir emoções, quando as pessoas vêem as obras de Muvart, questionam-se. Então, o objetivo da arte é atingido.

Gosto da ideia de utilizar de novo objetos da vida cotidiana, é como uma segunda vida para esses objetos. Além disso, têm uma outra utilização, como o urinol de Marcel Duchamps que é considerado, hoje, como uma obra de arte. Com este documentário, podemos ver o início difícil desta nova arte africana.

Sobre a questão: é realmente uma arte moçambicana que representa a arte africana ou arte contemporânea com um toque mais internacional? Eu creio que podemos afirmar que é uma arte africana, porque eles tiveram uma influência principalmente africana antes de influências estrangeiras em seu trabalho. Mas será que a arte precisa de representar uma só vertente do artista moçambicano? A geração Muvart conseguiu mostrar que não. Um artista moçambicano hoje pode exprimir as suas raízes africanas combinadas com influências de outros horizontes sem deixar, por isso, de se sentir um artista moçambicano.

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