Misteriosa Isabel

No longínquo reino de Portugal, a história da fantástica Isabel ocupa o espírito de toda gente.

Essa mulher era dotada de uma beleza incomparável. Digna de uma rosa, como se o tempo não pudesse atingir a sua perfeição inigualável. Isabel vivia numa luxuosa propriedade tal como uma rainha. A propriedade era tão imensa que era fácil de se perder entre os numerosos quartos, as casas de banho e havia mesmo várias salas. Impossível ter problemas de claustrofobia num tal espaço! O seu marido, Dinis, acarinhava-a, amava-a como ninguém pode amar. Do seu amor apaixonado nasceram dois maravilhosos filhos. A vida do casal era pautada pelos sonhos e a felicidade enchia os dias. Os seus filhos, criados com um amor intenso, sabiam que a mãe era uma mulher com um coração tão grande como o universo.

O que distinguia Isabel das outras pessoas era a capacidade de ajudar os seus vizinhos, sempre que tinham qualquer problema. Acontecesse o que acontecesse, sabiam que podiam contar com ela. Mas a sua generosidade também atraía muita inveja…

Naquele ano, as previsões meteorológicas indicavam que o inverno ia ser um dos invernos mais frios que o país tinha conhecido até à data. Quando Isabel soube desse fenómeno decidiu ajudar os seus vizinhos a enfrentar esse episódio terrível. Começou a preparar as caixas de comida, de roupas que já não serviam, de cobertores para distribuir depois. No período de Natal o frio instalou-se no reino. A neve caía em força e Isabel acorria às casas dos vizinhos mais pobres para oferecer as caixas preparadas com tanto carinho. Essas caixas eram vistas e recebidas com muito reconhecimento e gratidão.

Um dia, como agradecimento da sua bondade, uma velha mulher ofereceu-lhe uma capa branca tão brilhante que parecia « A rainha da Neve ». Adorava essa capa, durante muito tempo não vestiu outro casaco, usava este e só este. No entanto, a generosidade de Isabel acabaria por prejudicá-la.

Uma noite, saiu com a sua capa para enfrentar o frio, mas o seu marido encontrou-a e pediu-lhe gentilmente para parar o que estava a fazer. Isabel não aceitou, como podia ela abandonar todos os necessitados numa situação tão difícil? Por seu lado, Dinis esforçava-se para aceitar a atividade de sua mulher e o abandono que isso causava em casa e na família, ao ponto de se sentirem cada vez mais pobres e abandonados.

Uma tarde, Dinis escondeu a capa tão adorada de Isabel, pensando dissuadi-la de sair. Mas nada a podia parar. Irritado, Dinis pediu-lhe mais uma vez para ficar em casa e cuidar dos seus, mas Isabel, que tinha começado a inventar histórias para poder sair, afirmava que dessa vez precisava apenas de ir ao cemitério, colocar rosas na campa da sua mãe. Dinis não acreditava no que afirmava a sua mulher. Rosas? no inverno? Estaria a fazer pouco dele? Enraivecido, arrancou a tampa da caixa e abriu-a! E por magia, havia rosas na caixa!!! Ficou sem voz. Deixava a sua mulher sair mas sem a sua capa!

Foi a partir desse momento que uma série de coisas estranhas começaram a acontecer. Isabel saiu de casa, mas não se sentia bem… não compreendia o que estava a acontecer. De repente, deixou de reconhecer o lugar onde estava. As suas pernas vacilavam sob o peso do seu corpo. Por mais que gritasse, ninguém a ouvia. Com precaução, começou a usar as pétalas de rosas para se lembrar do caminho. Deste modo, poderia voltar para casa sem problema.

Durante a noite inteira, errou entre as árvores da floresta. Estava totalmente perdida. Sem família, sem marido, sem ninguém! Começou a perder o seu equilíbrio, caía, tudo girava à sua volta até que desmaiou.

Mais tarde, um homem imenso, duma corpulência imponente, encontrou-a e decidiu levá-la para sua casa que se situava num residência privada. A madrugada pintava o céu de cor-de-rosa como se corasse em frente da beleza de Isabel. O homem segurou-a nos braços. Uma vez chegados a casa do homem, este colocou-a no sofá. O cheiro dos biscoitos fazia cócegas nas suas narinas. O que não a preocupava, pelo contrário.

Recuperou consciência. Mas essa casa não lhe era estranha…

 

Continua…

Tifany Batateiro

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