4. “Última esperança”

por Tifany Batateiro

Escolhi abrir a carta que ficou fechada durante não sei quantos anos. O papel, por acaso, estava bem conservado. Uma vez a carta nas minha mãos, fiquei um instante sem a desdobrar e sem ler o seu conteúdo. Uns minutos depois abri a carta…

Ao longo da minha leitura, pude sentir todo o amor que esse Marc tinha pela minha mãe, os desgostos que lhe dava, a falta de presença da minha mãe era tão imensa que por trás de cada palavra conseguimos perceber os sentimentos de Marc. As palavras são usadas com uma tal emoção! No fim da sua carta encontram-se as suas coordenadas. Anotei-as. Não sei se vai ser necessário, depois de todo esse tempo talvez tivesse mudado de vida. Faço a ligação. O número não funciona. Resta-me a morada, é a minha única e última esperança. No início da tarde, dirijo-me à morada que anotei. Pergunto por um certo Marc.  A pessoa que me abriu a porta pede-me um momento. Alguns minutos depois, vejo surgir alguém no limiar da porta, era um homem de cerca de quarenta anos. Pergunto-lhe se é Marc, e se conheceu uma mulher de nome Catarina, há vinte anos atrás. Respondeu-me só alguns segundos depois de ter lhe perguntado isso. Esses segundos pareciam intermináveis. Acabou por me dizer com uma voz trémula que era mesmo ele, Marc. Senti um imenso alívio como nunca tinha sentido antes de o ter encontrado. Deixou-me de entrar. Depois de algumas saudações cordiais, perguntei-lhe quem era ele ao certo para a minha mãe, e se conhecia os possíveis culpados da morte da minha mãe. Todas as perguntas para as quais não tinha respostas saíam da minha boca como se não controlasse o que estava a dizer.

Foi a partir desse momento que me parou. Anunciou-me que me ia revelar tudo… Durante a história, não consegui dizer mais nada. As palavras estavam presas na minha garganta. Ele continuou a falar durante um bom tempo. As emoções invadiam-no. O ódio parecia crescer nele. As lágrimas espreitavam no canto dos seus olhos. Tudo o que estava a dizer, consegui perceber atrás do som da sua voz. As suas palavras jorraram como se estivessem prisioneiras e hoje fosse o dia da sua salvação. Encontrei todas as respostas que faltavam no puzzle da minha vida. Posso dizer adeus a minha mãezinha querida como tem de ser. Ela, como eu, podemos ir em paz.

Continua…

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