O bacalhau à portuguesa!*

por Emilie Roussel Alves

Obrigado aos vikings, obrigado aos bascos que, um dia, nos mostraram o que era o lindíssimo e saboroso Bacalhau! Pois tem uma grande história e é um alimento milenar: quem são os italianos que não conhecem o Baccalà; os espanhóis, o Bacalao ; os ingleses, Codfish ; e os franceses, la Morue?

Os vikings são considerados como os pioneiros da descoberta do Gadus Morhua, espécie encontrada nos mares em que navegavam. Mas esse peixe não era o verdadeiro bacalhau, tal como o conhecemos hoje! Quero dizer, eles não tinham sal e secavam o nosso maravilhoso peixe ao ar livre até que ele endurecia: os vikings comiam-no assim ao longo das viagens que faziam. Argh!! Mas que mau gosto!

Na realidade, se eles descobriram o bacalhau, não foram eles os primeiros a fazerem o seu comércio: foram os bascos da Espanha! Os bascos conheciam o sal: foi lá que o bacalhau começou a ser salgado, secado nas rochas, ao ar livre para ser conservado. Há registos do ano 1000 que provam que os bascos já realizavam o comércio do bacalhau.

Seguramente, a descoberta do divino peixe é muito interessante, mas eu queria vos perguntar uma coisa: você sabia que houve uma guerra do Bacalhau?

O bacalhau, no século XV, foi uma revolução na alimentação porque na época, os alimentos estragavam-se em pouco tempo por causa da má conservação. Um produto com tanto valor criou um grande interesse comercial nos países que tinham relações com o mar. Em 1510, Portugal e a Inglaterra assinaram um acordo contra a França. Em 1532, o controlo da pesca do bacalhau na Islândia desencadeou um longo conflito entre portugueses, ingleses e alemães: essas batalhas ficaram conhecidas como as « Guerras do Bacalhau ». Este grande conflito afetou também os ingleses e os espanhóis.

Ao longo dos séculos, legislações e tratados internacionais foram assinados para regular a pesca do bacalhau e a sua comercialização. Hoje em dia, com a extinção da espécie em vários países (como no Canadá), os tratados de pesca são sempre revistos e atualizados: o objetivo é de assegurar a reprodução e a prevenção do desaparecimento do Rei do mar. Devemos agradecer estas leis: o que seria um português sem bacalhau?

O bacalhau foi sempre o nosso fiel amigo. Nós, portugueses e portuguesas, somos um dos primeiros países a introduzir este maravilhoso peixe na alimentação de todos os dias!

No século XV, na grande época das navegações, os portugueses  descobriram o bacalhau. Eles precisavam de produtos que não se estragassem durante as longas viagens no Atlântico. Foram também os portugueses os primeiros a ir pescar o Bacalhau na Terra Nova (Canadá), que foi descoberta em 1497. Em 1596, Dom Manuel mandou cobrar o dízimo da pesca de Terra Nova nos portos entre o Douro e o Minho. Foi assim que o bacalhau foi introduzido nos hábitos alimentares dos portugueses, e é uma das suas principais tradições, ainda hoje! Somos os maiores consumidores de bacalhau do mundo.

Amamos tanto o Senhor Rei do mar que criámos a Academia do Bacalhau que tem como símbolos a bandeira portuguesa e o badalo.  É uma associação sem fins lucrativos que foi criada pela primeira vez em Joanesburgo (África do Sul) numa comunidade portuguesa. Estávamos em março de 1968, no hotel que se chamava Moulin Rouge, durante um jantar e quatro amigos decidiram fundar  a « Academia do Bacalhau.» Os amigos nunca pensaram que essa nova associação ia criar um choque no domínio da amizade, portugalidade e solidariedade social. Desde esse jantar, houve muitas reuniões para estabelecer princípios e normas e pôr a ideia a andar.

A 10 de Junho de 1968, um outro jantar se realizou no restaurante « Chave d’Ouro » para inaugurar oficialmente a Academia do Bacalhau de Joanesburgo. Hoje, é chamada Academia mãe.

Atualmente, existem 53 Academias do Bacalhau em todo o mundo, cada uma dirigida por um presidente. Todo os anos é realizado um congresso das Academias do Bacalhau numa parte do continente. Em 2009, foi em Pietermaritzsburgo na África do Sul; em 2010, em Paris na França e em 2011, em Recife, no Brasil.

Hoje, o senhor Grande Bacalhau é uma estrela internacional. Encontra-se em todos os países, nos mares, nos pratos, nos livros (existem mais de 1001 receitas !), nas tradições e até mesmo nas cantigas. Como já o diz Quim Barreiros, « o bacalhau é mesmo uma beleza. Se o cheiro é bom mais gostoso é o cozido. É o prato preferido do povo de Portugal! ».

* Título de uma música do cantor português Quim Barreiros.

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